O que são lentes intraoculares?
Lentes intraoculares (LIO) são dispositivos ópticos implantados dentro do olho para substituir ou complementar o cristalino. São fabricadas em materiais biocompatíveis — geralmente acrílico hidrofílico ou hidrofóbico — e permanecem no olho de forma permanente após o implante.
Relação com cirurgia de catarata
Na cirurgia de catarata (facectomia), o cristalino opacificado é retirado e uma lente intraocular é implantada em seu lugar. Sem essa lente, o olho ficaria sem poder dióptrico suficiente para focar imagens. A escolha da LIO define, em grande parte, o resultado visual do paciente após a cirurgia.
O cálculo da lente — chamado biometria — é realizado antes da cirurgia com aparelhos que medem o comprimento axial do olho, a curvatura da córnea e outros parâmetros. A precisão desse cálculo é fundamental para o resultado refrativo.
Lentes monofocais
As lentes monofocais têm um único ponto focal. Na maioria das vezes, são calculadas para foco à distância (longe), e o paciente usa óculos de leitura para atividades de perto. Também é possível calcular a lente para foco intermediário ou próximo, conforme a preferência e rotina do paciente — mas sempre com a necessidade de óculos para as demais distâncias.
São lentes com excelente qualidade óptica, baixo índice de fenômenos visuais (halos, reflexos) e ampla indicação, incluindo pacientes com alterações de retina ou outros fatores que contraindicam lentes multifocais.
Lentes tóricas
Lentes tóricas têm poder dióptrico diferenciado em dois meridianos, corrigindo o astigmatismo corneano ao mesmo tempo em que tratam a catarata. Podem ser monofocais tóricas ou multifocais tóricas.
Para que funcionem adequadamente, precisam ser posicionadas no eixo correto. O cirurgião realiza marcações no olho antes da cirurgia e ajusta o posicionamento durante o procedimento. Um leve giro da lente após o implante pode reduzir a eficácia da correção de astigmatismo.
Lentes multifocais
Lentes multifocais distribuem a luz em dois ou mais pontos focais simultaneamente — geralmente longe e perto — por meio de anéis de difração gravados no óptico da lente. O objetivo é reduzir a dependência de óculos para longe e para perto.
Limitações que devem ser discutidas antes da escolha:
- Halos e reflexos ao redor de fontes luminosas — especialmente à noite — são comuns e podem ser mais intensos nos primeiros meses
- Redução do contraste em alguns cenários, especialmente em baixa luminosidade
- Não são indicadas em pacientes com doenças de retina ou córnea irregular
- Exigem boa qualidade de superfície ocular e tear film (filme lacrimal) estável
Lentes EDOF — Foco estendido
As lentes EDOF (Extended Depth of Focus) estendem a profundidade de foco em vez de criar pontos focais separados. O resultado é uma visão contínua e nítida para longe e para distâncias intermediárias — como tela de computador — com menor dependência de óculos nesses pontos.
Para leitura muito próxima (livros, celular em distância reduzida), muitos pacientes ainda precisam de óculos para tarefas prolongadas.
Em comparação com multifocais tradicionais, as EDOF tendem a causar menos halos e reflexos, com melhor desempenho em baixa luminosidade — embora a visão de perto puro seja menor.
Comparação didática entre lentes monofocais, tóricas, EDOF e multifocais. A escolha depende dos exames, da rotina visual e das expectativas.
Como escolher a lente certa?
A escolha da lente intraocular é um dos momentos mais importantes do planejamento cirúrgico. Envolve uma conversa franca entre médico e paciente. Os principais fatores considerados:
- Estado da retina (doenças maculares contraindicam multifocais)
- Qualidade da córnea e regularidade topográfica
- Diâmetro pupilar (pupilas maiores aumentam o risco de halos)
- Presença e grau de astigmatismo
- Estilo de vida e demandas visuais predominantes (motorista noturno, trabalho em tela, leitura intensa)
- Tolerância a fenômenos visuais (halos e reflexos)
- Expectativa realista do paciente
Comparativo dos tipos de lentes
| Tipo | Foco | Indicação principal | Limitações |
|---|---|---|---|
| Monofocal | Único (longe, intermediário ou perto) | Pacientes com retina alterada, necessidade de máxima qualidade óptica, qualquer perfil | Necessita de óculos para as demais distâncias |
| Tórica | Único, com correção de astigmatismo | Pacientes com astigmatismo corneano significativo | Exige posicionamento correto; pode girar levemente |
| Multifocal | Dois ou mais (longe + perto) | Pacientes que desejam reduzir óculos para longe e para perto, com retina saudável | Halos e reflexos noturnos, redução de contraste, não indicada em retina alterada |
| EDOF | Foco contínuo (longe + intermediário) | Pacientes com demanda visual para tela e longe, menor tolerância a halos | Visão de perto próximo pode exigir óculos para leitura prolongada |
Exames necessários antes da escolha
Antes de definir a lente intraocular, é necessário:
- Biometria ocular: medição do comprimento axial do olho e curvatura da córnea para o cálculo do poder dióptrico da lente.
- Tomografia de córnea: avalia a regularidade da superfície corneana, essencial antes de multifocais e EDOF.
- Avaliação de retina: fundo de olho com dilatação para identificar alterações maculares que contraindicam determinadas lentes.
- Avaliação de superfície ocular: identificação e tratamento de olho seco antes da cirurgia.
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