Cirurgia Refrativa

Cirurgia refrativa: avaliação, técnica e indicação responsável.

PRK, LASIK e outras estratégias para correção do grau com planejamento individualizado e expectativas realistas.

Agendar avaliação

Consulta com Dr. Marcelo Muce pela Scopo Saúde e Longevidade em Campinas.

Agendar pelo WhatsApp

O que é cirurgia refrativa?

Cirurgia refrativa é o conjunto de procedimentos que têm como objetivo corrigir erros de refração — as ametropias — buscando reduzir a dependência de óculos ou lentes de contato. O mecanismo mais comum é a remodelação da superfície da córnea com laser excimer, alterando a curvatura e, assim, a forma como a luz é focada na retina.

Ametropias tratáveis

  • Miopia: o olho foca a luz à frente da retina, causando visão borrada para longe. Na cirurgia, a córnea central é aplainada para reduzir o poder de convergência.
  • Hipermetropia: o olho foca a luz atrás da retina. A cirurgia aumenta a curvatura da córnea para aumentar o poder convergente.
  • Astigmatismo: a córnea tem curvatura irregular em diferentes meridianos, causando visão distorcida. O laser corrige a assimetria.
  • Presbiopia (vista cansada): perda da capacidade de acomodação por volta dos 40 anos. Algumas abordagens refrativas podem ajudar a reduzir a dependência de óculos, mas a discussão deve ser individualizada.

Presbiopia, Presbyond® e independência de óculos

O tratamento para presbiopia precisa considerar visão de perto, intermediária e longe, além da rotina de leitura, computador e direção. Em pacientes selecionados, estratégias como Presbyond®, solução READ da Alcon, monovisão planejada, PRK, LASIK, lentes fácicas ou lentes intraoculares podem entrar na conversa sobre correção do grau e redução da dependência de óculos.

Liberdade de óculos com responsabilidade: o objetivo pode ser buscar maior independência de óculos, mas sem prometer independência total para todas as distâncias ou situações. A indicação depende de exames, anatomia ocular, dominância visual, idade, olho seco e expectativas realistas.

Ler artigo: Presbyond® e tratamento da presbiopia →

Anatomia da córnea em corte, destacando curvatura, espessura da córnea e esclera

A curvatura, a espessura e a regularidade da córnea são pontos centrais na avaliação para cirurgia refrativa.

PRK — Ceratectomia fotorrefrativa

No PRK, o epitélio (camada superficial da córnea) é removido mecanicamente ou com álcool diluído, e o laser atua diretamente sobre o estroma corneano. Após o procedimento, uma lente de contato terapêutica protege a superfície enquanto o epitélio se regenera — o que ocorre em poucos dias.

Vantagens do PRK:

  • Não cria retalho corneano — ideal para córneas mais finas
  • Menor risco em esportes de contato ou atividades com risco de trauma ocular
  • Resultado visual final semelhante ao LASIK após a fase de cicatrização

Pontos de atenção: a recuperação visual é mais lenta (dias a semanas); pode haver desconforto nos primeiros dias enquanto o epitélio regenera; uso de colírios por período mais prolongado.

LASIK — Laser in situ keratomileusis

No LASIK, um retalho fino de tecido corneano é criado com microcerátomos ou laser de femtossegundo (LASIK com femto). O retalho é levantado, o laser excimer remodela o estroma e o retalho é reposicionado. Como o epitélio é preservado, a recuperação visual é bem mais rápida — muitos pacientes enxergam bem já no dia seguinte.

Vantagens do LASIK:

  • Recuperação visual muito rápida
  • Menor desconforto no pós-operatório imediato
  • Técnica com longo histórico de segurança e previsibilidade

Pontos de atenção: exige córnea com espessura suficiente para criar o retalho e ainda manter estroma residual adequado; o retalho criado é permanente; em trauma ocular, o retalho pode se deslocar.

Quando uma ou outra?

Não existe uma técnica universalmente superior. A decisão é individualizada e depende da avaliação da córnea de cada paciente.

  • Córnea mais fina — PRK costuma ser mais indicado
  • Praticantes de esportes de contato — PRK elimina o risco do retalho
  • Paciente que necessita de retorno visual rápido — LASIK pode ser preferível
  • Superfície ocular seca mais marcada — avaliação cuidadosa antes de qualquer técnica
Em alguns casos, a melhor alternativa pode não ser remodelar a córnea com laser. Lentes fácicas (ICL) podem ser consideradas tanto quando PRK/LASIK não são seguros quanto quando o paciente, mesmo sendo candidato ao laser, prefere uma opção potencialmente reversível e sem alteração da anatomia corneana.

Entender lentes fácicas (ICL)
Não existe técnica universalmente melhor. A escolha depende da córnea, do grau, da superfície ocular e do estilo de vida. Qualquer afirmação categórica antes dos exames é precipitada.

A importância da avaliação pré-operatória

Antes de qualquer cirurgia refrativa, é essencial uma avaliação completa que inclui:

  • Topografia de córnea: mapeamento da curvatura anterior da córnea, fundamental para identificar assimetrias.
  • Tomografia de córnea: análise das faces anterior e posterior, espessura total e avaliação de padrões que sugerem ceratocone ou ectasia.
  • Paquimetria: medição da espessura corneana para confirmar que há tecido suficiente para o procedimento.
  • Refração estável: o grau deve ser estável por pelo menos um a dois anos antes da cirurgia.
  • Avaliação da superfície ocular: presença de olho seco, blefarite ou outras alterações que precisam ser tratadas antes.
Mapa de topografia de córnea mostrando a curvatura e distribuição de poder dióptrico

Topografia de córnea: avalia a curvatura da superfície anterior e identifica irregularidades.

Diagrama ilustrando a ação do laser excimer sobre o estroma corneano durante cirurgia refrativa

Ação do laser excimer sobre a córnea durante o procedimento refrativo.

Ler artigo: sou candidato à cirurgia refrativa? →

Contraindicações

Nem todos os pacientes são candidatos à cirurgia refrativa. As principais contraindicações incluem:

  • Córnea com espessura insuficiente
  • Topografia ou tomografia irregular sugestiva de ceratocone ou ectasia
  • Grau instável (mudança na refração nos últimos 12 a 24 meses)
  • Olho seco grave não tratado
  • Ceratocone confirmado
  • Doenças autoimunes ativas que comprometam a cicatrização
  • Gravidez e amamentação

Expectativas realistas

A cirurgia refrativa pode reduzir de forma significativa a dependência de óculos em muitos pacientes bem selecionados. No entanto:

  • Não existe garantia de independência total de óculos para todas as distâncias ou situações (especialmente em baixa luminosidade ou após os 40 anos)
  • Presbyond®, solução READ da Alcon e outras estratégias para presbiopia podem reduzir a dependência de óculos em casos selecionados, mas a presbiopia exige acompanhamento e pode mudar com a idade
  • Fenômenos visuais como halos e reflexos noturnos podem ocorrer, especialmente em graus elevados ou pupilas maiores
  • A retratamento (reforço cirúrgico) pode ser necessário em alguns casos

Dúvidas rápidas

Quem pode fazer cirurgia refrativa?

Pacientes com grau estável, córnea adequada, superfície ocular controlada e expectativas realistas podem ser candidatos, mas a confirmação depende dos exames.

PRK ou LASIK: qual é melhor?

Não há uma técnica melhor para todos. A escolha depende de espessura, curvatura e regularidade da córnea, grau, olho seco e segurança.

Cirurgia refrativa corrige presbiopia?

Em alguns casos, estratégias como Presbyond®, solução READ da Alcon, monovisão planejada ou lentes intraoculares podem ser discutidas para reduzir a dependência de óculos para perto e intermediário. A indicação depende dos exames e não representa promessa de independência total.

Agendar avaliação com Dr. Marcelo

A decisão sobre cirurgia refrativa começa com uma avaliação completa. Entre em contato com a Scopo Saúde e Longevidade.